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31 janeiro 2011

Preservação de células estaminais

Acabei de fazer um levantamento e uma análise das empresas que, em Portugal, prestam serviços de criopreservação de células estaminais. É uma daquelas coisas que esperamos nunca vir a usar, que sabemos que dificilmente serão usadas (compatibilidade, avanço científico, etc.) mas que nos iria atormentar se um dia se viesse a colocar a hipótese de as usar e não as tivessemos.

Como ainda demorei algum tempo a fazer a análise das hipóteses disponíveis no mercado português, resolvi partilhar aqui os dados que encontrei esperando, com isso, facilitar a vida a alguém.
































EmpresaGuardam cordão?Local de armazenamentoCusto do kitCusto da preservaçãoObservações
Bebé VivaNos pacotes 20 e 25 anosPenafiel115 euros15 anos: 995 euros
20 anos: 1200 euros
25 anos: 1400 euros
Não necessita de análises pós-parto
CriostaminalNãoCantanhede60 euros20 anos: 1330 euros
25 anos: 1580 euros
Certificação pela ABB
Actualmente a única aprovada pelo Ministério da Saúde no âmbito do decreto lei 12/2009 de Março
Custo do transporte de células para transplante suportado em território nacional mas não para o estrangeiro
BiotecaNãoLisboa115 euros20 anos: 1095 euros
25 anos: 1295 euros
Requer testes sanguíneos maternos alguns meses após o parto
Seguem normas da Netcord
CriovidaSimMaia117.87 euros20 anos: 1112.12 eurosLigado a laboratórios em Madrid e Dusseldorf
Seguem normas da Netcord
Custo do transporte de células para transplante suportado em território nacional e para o estrangeiro



Alguns comentários:
  • parece não haver qualquer interesse científico na preservação do cordão já que este é apenas usado, inicialmente, para fazer os testes iniciais necessários
  • os preços apresentados são sujeitos muitas vezes a promoções temporárias (ex. reembolso do valor do kit no caso de se avançar com a criopreservação).
  • o contrato a assinar é enviado junto com o kit. Dado que nessa altura a pessoa já terá pago o valor inicial do kit, poderá ser tarde demais para mudar de ideias caso não se concorde com algum dos aspectos do contrato. Infelizmente, e com a excepção da Criovida que tem o contrato online (aqui em PDF), nenhuma das outras empresas o faz. Assim, sugiro que façam o que fiz: telefonar e pedir às empresas que vos enviem cópia do contrato por email. Todas o fizeram prontamente.
  • um dos aspectos em que eu estava interessada era no armazenamento das células em mais do que um armazém para reduzir hipóteses de destruição das células devido a fenómenos extremos (ex. incêndio, terramoto, etc.). No entanto, tal não é oferecido actualmente por nenhuma das empresas listadas.

Claro que não posso deixar de referir que os dados apresentados são derivados da minha interpretação da informação nos sites das respectivas empresas à data de hoje: não são vinculativos e podem estar errados.

Eu não tenho nada a ver com nenhuma das empresas listadas.

01 março 2010

Já dizia Guerra Junqueiro

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

07 outubro 2009

Um pião? Nem por um tostão

Eu tenho um pião,
um pião que dança.
Eu tenho um pião
aqui na minha mão.
Gira, que gira o meu pião.
Eu não to dou nem por um tostão.


É impressão minha ou esta canção está a sugerir aos mais pequeninos que não devemos partilhar os nossos brinquedos e, pior ainda, está a destruir o nosso espírito empreendedor? :-)

02 setembro 2009

Tapeçarias de Portalegre


Durante os dias que passei de férias na Figueira da Foz (este ano fui para fora cá dentro - não tivesse eu estado fora tanto tempo) visitei a exposição "Nós na Arte", uma exposição de tapeçarias de Portalegre associadas à arte contemporânea.

Não sabia bem o que esperar na exposição, o que é certo é que adorei o que vi. Primeiro porque não conhecia esta tapeçaria e depois porque achei maravilhosa a ideia de associar esta forma de trabalho artesanal à recriação de pinturas contemporâneas.

O site das tapeçarias não é grande coisa já que não faz jús à beleza do trabalho mas contem alguma informação útil, nomeadamente informação do local de manufactura, em Portalegre claro, e da Galeria, em Lisboa.

De acordo com Fernando Martins, a exposição irá permanecer no edifício do antigo Casino Oceano, ao lado do actual Casino da Figueira da Foz, até ao final de Setembro.

27 julho 2009

"Contos Policiais" em português

Sempre fui uma ávida leitora de policiais. Comecei com Agatha Christie, no original, para praticar o meu inglês. Tornei-me sócia da biblioteca da British Council para poder continuar a ler os autores de que gostava nas suas versões originais. Depois, com a mudança para Londres, tudo se tornou ainda mais fácil (com as bibliotecas, os livros baratos, etc.).

Habituei-me a vários autores e sempre tive dificuldade em imaginar policiais em português. Também sempre tive curiosidade em saber como seriam.

Em Janeiro entrei na FNAC e encontrei o livro "Contos Policiais" numa das estantes. Coordenado por Pedro Sena-Lino, o livro apresenta nove pequenos contos escritos por outros tantos autores portugueses. Pensei ser uma óptima forma de ficar a conhecer nove autores alguns dos quais poderia depois querer explorar em versão "comprida".

Pois bem, acabei de ler o livro ontem (não, não o comecei a ler em Janeiro - lembram-se que ainda há pouco tempo tinha acabado de ler outro?) e resolvi partilhar aqui as minhas impressões.

Infelizmente não são muito positivas. O que eu gosto num policial é um texto fácil de ler e que permita ao leitor focar toda a sua atenção no enredo, nas pistas, nos problemas, etc.. O que encontrei neste livro foi uma séria de contos que pareciam esconder a falta de enredo com um estilo de escrita todo cheio de rócócós, difícil de acompanhar.

Alguns contos são daqueles que começam hoje, recuam para o ano passado, voltam para a frente, e para trás, e para a frente. A certa altura, eu que só queria descansar a cabeça, já estava é ainda mais cansada de tanto esforço fazer para acompanhar o fio da narração.

Outros contos, estão tão cheios de adjectivos e salamaleques que me dava quase logo vontade de os pôr de lado. É quase como se, para se ser escritor, se tivesse de usar (e abusar de) uma série de recursos estilísticos. É como se isso fosse o grande diferencial entre os bons e os maus escritores. É como se o que interessasse não fosse o conteúdo - fosse sermos diferentes.

Ainda assim, houve três contos que me deixaram um pouco mais esperançada na narrativa policial portuguesa: "o criminoso portuguesinho" de valter hugo mãe (mas porque é que o autor não pontua devidamente o seu texto e não utiliza letras maiúsculas como qualquer outra pessoa que tenha ido à escola e tenha aprendido os básicos da escrita?), "D. Quixote" de Rui Zink (para quê tantas quebras no texto?) e, especialmente, "A perdição do sorriso cromado" de Ricardo Miguel Gomes.

Penso que o único que me levaria a comprar um livro assinado por si seria este último. Infelizmente, uma pesquisa na Internet não oferece qualquer indicação de o autor ter escrito qualquer outro trabalho (comprido ou não). Posso ter pesquisado mal. Se assim for, alguém que me corrija.

22 julho 2008

Portugal no estrangeiro

Nada me dá mais gozo do que ver produtos portugueses à venda noutros países. Da mesma forma, nada me causa mais tristeza do que ver a forma como tantos dos nossos melhores produtos não se encontram a competir pela atenção das pessoas nos supermercados, nas sapatarias, nas lojas de decoração, etc..

Assim, foi com grande alegria que este fim-de-semana vi o seguinte texto num cantinho do menu do restaurante Fishworks em Primrose Hill, Londres.



A lista de produtos portugueses não se estendia a mais nenhuma das outras secções do menu - nem aos vinhos, nem aos queijos, por exemplo. Mas, não se pode ter tudo, e ver águas portuguesas na ementa foi uma óptima surpresa.

21 março 2008

Joaninha voa voa

Comprei a semana passada o livro "O Grande Livro das Lengalengas" da Afrontamento e da autoria de José Viale Moutinho (texto) e Fedra Santos (ilustrações). Publicado o ano passado, este livro inclui 101 lengalengas com excelentes ilustrações para os mais novos.

Comprei o livro com a desculpa de ser para o meu filho mas tenho de confessar que, em parte, o livro foi para mim.

Aquelas lengalengas fazem parte da minha infância e fazem-me lembrar a minha avó C. Talvez não tanto de quando ela mas dizia mas mais de quando ela as cantarolava para o meu irmão.

(Encontrei uma recensão crítica bastante interessante aqui)

Joaninha voa voa...

E porque uma coisa boa nunca vem só, comprei também um CD de música infantil popular portuguesa. É para o meu filho, claro.

Chama-se "As Melhores Músicas da Carochinha", é um CD duplo e tem 38 canções fabulosas. Por algum motivo vão passando de geração em geração, passando de pais para filhos. Ouvi o CD uma vez e passei o resto do dia a cantarolar canções como a d' "A barata diz que tem sapatinhos de veludo/É mentira da barata/O pé dela é que é peludo".