Aqui há algum tempo, quando ainda estávamos em Inglaterra, comprámos ao meu filho o livro "Who are you, Stripy Horse?". É um livro muito engraçado e com um factor surpresa no final. A ilustração é também muito apelativa e o livro foi um grande sucesso na primeira leitura e em todas as que se vão seguindo.
Como na contracapa do livro aparece uma referência a um outro livro dos mesmos autores e sobre a mesma personagem, o Stripy Horse, o meu filho tem pedido que lho compremos.
Fizemos-lhe esta semana a vontade e comprámos-lhe o "Look out, Stripy Horse". Infelizmente, o livro não é nada de especial e, por vir na sequência de outro que tanto nos agradou, soube a pouco. A história é engraçada mas falta-lhe a "punch line" final que, não sendo comum nos livros para criança, tanto nos surpreendeu no primeiro trabalho de Jim Helmore e Karen Wall.
03 agosto 2009
Cavalo às riscas
27 julho 2009
"Contos Policiais" em português
Sempre fui uma ávida leitora de policiais. Comecei com Agatha Christie, no original, para praticar o meu inglês. Tornei-me sócia da biblioteca da British Council para poder continuar a ler os autores de que gostava nas suas versões originais. Depois, com a mudança para Londres, tudo se tornou ainda mais fácil (com as bibliotecas, os livros baratos, etc.).
Habituei-me a vários autores e sempre tive dificuldade em imaginar policiais em português. Também sempre tive curiosidade em saber como seriam.
Em Janeiro entrei na FNAC e encontrei o livro "Contos Policiais" numa das estantes. Coordenado por Pedro Sena-Lino, o livro apresenta nove pequenos contos escritos por outros tantos autores portugueses. Pensei ser uma óptima forma de ficar a conhecer nove autores alguns dos quais poderia depois querer explorar em versão "comprida".
Pois bem, acabei de ler o livro ontem (não, não o comecei a ler em Janeiro - lembram-se que ainda há pouco tempo tinha acabado de ler outro?) e resolvi partilhar aqui as minhas impressões.
Infelizmente não são muito positivas. O que eu gosto num policial é um texto fácil de ler e que permita ao leitor focar toda a sua atenção no enredo, nas pistas, nos problemas, etc.. O que encontrei neste livro foi uma séria de contos que pareciam esconder a falta de enredo com um estilo de escrita todo cheio de rócócós, difícil de acompanhar.
Alguns contos são daqueles que começam hoje, recuam para o ano passado, voltam para a frente, e para trás, e para a frente. A certa altura, eu que só queria descansar a cabeça, já estava é ainda mais cansada de tanto esforço fazer para acompanhar o fio da narração.
Outros contos, estão tão cheios de adjectivos e salamaleques que me dava quase logo vontade de os pôr de lado. É quase como se, para se ser escritor, se tivesse de usar (e abusar de) uma série de recursos estilísticos. É como se isso fosse o grande diferencial entre os bons e os maus escritores. É como se o que interessasse não fosse o conteúdo - fosse sermos diferentes.
Ainda assim, houve três contos que me deixaram um pouco mais esperançada na narrativa policial portuguesa: "o criminoso portuguesinho" de valter hugo mãe (mas porque é que o autor não pontua devidamente o seu texto e não utiliza letras maiúsculas como qualquer outra pessoa que tenha ido à escola e tenha aprendido os básicos da escrita?), "D. Quixote" de Rui Zink (para quê tantas quebras no texto?) e, especialmente, "A perdição do sorriso cromado" de Ricardo Miguel Gomes.
Penso que o único que me levaria a comprar um livro assinado por si seria este último. Infelizmente, uma pesquisa na Internet não oferece qualquer indicação de o autor ter escrito qualquer outro trabalho (comprido ou não). Posso ter pesquisado mal. Se assim for, alguém que me corrija.
07 julho 2009
Raposas no Parque - pós leitura
Escrevi aqui recentemente sobre o livro "Há Raposas no Parque" de Clara Macedo Cabral. Na altura ainda só tinha lido alguns capítulos. Agora, que já terminei o livro, posso falar um pouco mais.
O livro é aquilo que a capa promete que seja: um relato da vida em Londres entre 2007 e 2009. O relato de uma mãe, de uma portuguesa, de uma mulher, de uma cidadã. As várias perspectivas conjugando-se e competindo, numa sequência de capítulos que vão abordando vários aspectos do quotidiano, da cultura, da política e da sociedade londrinas.
Confesso que esperava ler um pouco mais sobre a experiência de estar grávida, ter um bebé e superar os primeiros meses de vida do bebé em Londres. Talvez por ter passado recentemente por essa experiência e ter pena de eu própria não ter documentado esses momentos: as consultas, os exames, a preparação para o parto, a escolha da maternidade, o parto, o apoio domiciliário prestado após o parto, etc..
Por outro lado, li muito mais sobre política, economia e a sociedade do que contava. Foi uma agradável surpresa e acabei por aprender muitas coisas que por preguiça ou falta de oportunidade, nunca me foi dado aperceber. É especialmente nestes aspectos que vem ao de cima a formação da autora, que empresta um olho crítico e conhecedor a muitos dos aspectos que tanto marcam a vida em Londres.
Uma das coisas mais interessantes do livro é a forma como lemos sobre as perspectivas tão pessoais da autora sem ficarmos a saber muito sobre ela, sobre a sua família, a sua ocupação, etc.. É um relato pessoal sobre a cidade. E se, por um lado tenho pena de não ter ficado a saber mais sobre ela (confesso o meu lado de "cusca"), por outro lado admiro a forma como Clara conseguiu escrever um livro tão pessoal sem ser sobre si.
Como disse no outro post, no início não estava a gostar muito do estilo de escrita da autora. No entanto, pareceu-me que o estilo de escrita foi mudando com o passar dos meses, tornando-se mais fluido, menos formal, menos pensado (a forma como é escrito, não o conteúdo). E, por essa razão, ou porque me fui habituando ao estilo de escrita da autora, gostei bastante mais dos últimos capítulos.
Palavras finais: valeu bem a pena comprar e ler este livro, e ando já a pensar que outros portugueses é que eu conheço em Londres que possam gostar de ler este livro.
(A foto, tirada por mim em Londres a 26 de Abril 2008, mostra que não só há raposas como também há gansos no parque. Uma das surpresas de Londres sobre a qual já aqui escrevi.)
19 junho 2009
Raposas no Parque
Um destes dias marquei encontro com um amigo à porta de uma livraria. Eu cheguei antes da hora ele estava atrasado. Resolvi entrar. Dei a volta a um dos expositores e os meus olhos foram bater num livro com um título curioso e uma capa que me chamou bastante a atenção.
Peguei no livro. Na contracapa:
"O presente livro parte da experiência de uma portuguesa que, tendo ido viver para o Reino Unido, reflecte acerca do processo de se tornar mãe num país estrangeiro, dar à luz num hospital londrino, criar um filho sem o apoio de uma família alargada, apenas com o recurso aos meios comunitários e a baby-sitters, que abrem, também elas, portas para uma visão “de dentro” sobre o mundo da imigração na cidade de Londres."
Acho que até senti um arrepio. Quase poderia estar a ler a contracapa de um livro meu...
Leio muito mas não sou muito de comprar livros: gosto muito de requisitar livros nas bibliotecas (hábito que adquiri em Londres). No entanto, este livro... tive de o comprar... na hora.
Comecei já a lê-lo. Confesso que não sou grande fã do estilo de escrita da Clara Macedo Cabral (pelo menos neste livro já que não conheço qualquer outro seu trabalho escrito) mas estou a adorar a forma como ela introduz vários factos e observações quotidianas que tão bem retratam os desafios, as oportunidades, as realidades de uma portuguesa a viver em Londres com um bebé ao colo.
14 fevereiro 2009
Livro novo
Hoje o meu filho recebeu um pacote de livros através do esquema Bookstart aqui em Inglaterra. Este esquema dá livros a todas as crianças quando fazem 6 meses, 18 meses e 3 anos. Os livros incluídos nos pacotes são adequados à idade a que se referem e o objectivo é, claro está, criar hábitos de leitura.
O pacote, em forma de arca de tesouro, inclui dois livros ilustrados, um livro para colorir, uma caixa de 12 lápis, uma afiadeira, autocolantes para pôr nos livros com o nome, e um livrinho para os pais, com dicas de como ler às crianças.
No livrinho para os pais, ilustrado por Arthur Robins (autor do cãozinho neste post), vem um poema muito lindo de Tony Mitton que tenho de partilhar aqui.
NEW BOOK
As you open its lid your mind unlocks.
The book itself is a brand new box.
And you pore that book by day and night,
For the book is a block of pure delight.
Then when you’ve done and the text is read
and your eyes are tired but your mind feels fed,
you may place that book on the silent shelf
but a bit of the book has become your new self.
(by Tony Mitton)
14 janeiro 2009
Bonito livro sobre Crewel
Este Natal o Pai Natal deu-me um livro lindíssimo de bordado de crewel. O título é "The New Crewel" e a autora é Katherine Shaughnessy. O livro para além de estar bem organizado (um pouco de história, material necessário, pontos principais, exemplos práticos aplicados), tem óptimas fotografias e os desenhos sugeridos são extremamente originais e actuais.
A autora propõe-se com o livro trazer para os nossos dias esta técnica de bordado tão antiga e penso que o consegue muito bem. Vale bem a pena ter este livro, para quem gosta de ver livros bonitos e para quem se quer inspirar e ganhar coragem para tentar este tipo de bordado.

Tentei descobrir como se diz crewel em português e não consegui. Se alguém souber, por favor avise.
06 abril 2008
Presente
"Every day was a gift (...) that was why it was called the present." (p241)
in One Good Turn, Kate Atkinson, Black Swan, Great Britain, 2006
25 março 2008
ABC3D
Tomei hoje conhecimento de um livro espectacular que mostra, de forma bastante inovadora, as letras do alfabeto. Chama-se ABC3D e é da autoria de Marion Bataille.
Aqui fica o vídeo de promoção do livro
O livro estará disponível em Setembro deste ano.
21 março 2008
Joaninha voa voa
Comprei a semana passada o livro "O Grande Livro das Lengalengas" da Afrontamento e da autoria de José Viale Moutinho (texto) e Fedra Santos (ilustrações). Publicado o ano passado, este livro inclui 101 lengalengas com excelentes ilustrações para os mais novos.
Comprei o livro com a desculpa de ser para o meu filho mas tenho de confessar que, em parte, o livro foi para mim.
Aquelas lengalengas fazem parte da minha infância e fazem-me lembrar a minha avó C. Talvez não tanto de quando ela mas dizia mas mais de quando ela as cantarolava para o meu irmão.
(Encontrei uma recensão crítica bastante interessante aqui)
Joaninha voa voa...
E porque uma coisa boa nunca vem só, comprei também um CD de música infantil popular portuguesa. É para o meu filho, claro.
Chama-se "As Melhores Músicas da Carochinha", é um CD duplo e tem 38 canções fabulosas. Por algum motivo vão passando de geração em geração, passando de pais para filhos. Ouvi o CD uma vez e passei o resto do dia a cantarolar canções como a d' "A barata diz que tem sapatinhos de veludo/É mentira da barata/O pé dela é que é peludo".